guardo planos ambiciosos.
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+ porque o cinema é uma das melhores tréguas que existe +
A Culpa é do Fidel! - a filha, em 2006. Puta do filme! Fui vê-lo sabendo apenas que era bom e divertido, já que mostrava a visão e crítica de uma criança-meio-mafalda ao comunismo. Após as letrinhas subirem (e meu tesão pelo filme também), o nome da diretora e escritora me fez alegre. Julie Gavras. Vou ao IMDB catar uma prova pra aquietar minha ansiedade e eis que a única descrição que a póbi tem é: Her father is the director Costa-Gavras. Ah! OK! =D Agora sim, tudo entendido. É, meu povo, gene é coisa séria.
Desaparecido - o pai, em 1982. E quem quer assistir Desaparecido, Um Grande Mistério levanta o dedo aí! Pena que dele eu só assiti este, e devo isto - e muitas outras coisas - à Socorro (com crase porque é íntima =D). Mas voltando, este filme do caralho é sobre a ditadura militar no Chile, é sobre sonhos, é sobre o amor de um pai por um filho, de uma mulher por seu companheiro, é sobre a quebra da inocência de um senhor norte-americano republicano, porém decente, sobre o sonho amerciano, é sobre luta, sobre coragem, e sobre covardia, claro, mas muita covardia do governo chileno e norte-americano. Este é, aliás, um ponto bem interessante do filme, a denúncia - e Costa-Gavras adora isto - do envolvimento dos EUA nas ditaduras latino-americanas.
Pois bem, sabendo que a garota é filha de quem é, A Culpa é do Fidel! não poderia ter outro final.
Ele é minha luz amarela no banheiro, me levando à infância e às suas promessas de dias melhores e à ousadia dos sonhos impossíveis. Foi no dia em que coloquei esta luz amarela que percebi tudo o que redescobri com ele. É Sebastião, né que com ele relembrei que o mundo é bão mesmo? Que há sim pessoas boas e amigas. Que há pessoas preocupadas com os sentimentos dos outros. E pasmem. Isto não tem só o valor de palavrinhas bonitas. Aqui o valor tá lá, nele. Não nestas palavras. É ele que tento colocar aqui. E ele é puro da cor da minha infância. Ele é aquele bom que há muito tempo eu já não acreditava. E antes a vida só fazia sentido quando eu esquecia desta terrível não crença - a possibilidade da esperança se fazia exatamente com a negação da crítica da esperança, acreditava que era melhor não pensar seriamente sobre isto, que as pessoas não eram perfeitas e que nada podia mudar isto, que as pessoas sempre pisariam na bola e ponto, que eu também pisava na bola e que não era por mal. Mas ele não pisa na bola com as coisas verdadeiramente importantes. Ele me fez ver que há sim pessoas superiores a isso tudo. E o melhor é que ele não se toca disso, ele simplesmente vive. E mesmo sem saber, ele não cansa de me deixar boba com o quanto ele é bom. É por isso e por muito mais que eu o amo. E assim estou sempre me perguntando o que fiz pra merecer essa pedrinha preciosa.