segunda-feira, 18 de maio de 2009

mario benedetti

Fechou ontem sua trajetória, aos 88 anos e entupido de livros a escrever. Mas nos deixou muito, me deixou muito. Deixasse A Trégua, livrinho que dá nome a este blogue, e já estaria de bom tamanho. Não irei qualificar sua obra, seria ofensivo, e ainda me restam a vergonha e o senso, assim como a tristeza. Tenho minhas manias, uma delas é eleger com quem eu falaria sobre a morte, e ele era o meu escolhido, desde que o ganhei de presente naquele começo de 2007 de Salvador. É desolador quando se perde esta pessoa, até o momento eu apenas as trocava por outra mais adequada à façanha. E agora? Com quem tirarei estes nós? Provavelmente será em sua obra.

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Lindo o que Saramago escreveu sobre a morte do amigo em seu blogue.

Morreu Benedetti

A cabeça diz-nos que não há milagres, mas o coração insiste em crer que um milagre de vez em quando, além de não alterar a ordem do mundo, viria bem como compensação das inevitáveis tristezas da vida. No fundo, queríamos acreditar que a leitura dos poemas de Benedetti, posta a correr ao redor do mundo, faria recuar a morte que ameaçava. Mario perdeu a batalha, nós, os seus amigos, os seus leitores, também. Restará a memória, restarão os livros, mas, neste momento, memória e livros quase nos parecem somenos. A dor e o desgosto não adormecerão tão cedo. Havia Mario Benedetti e deixou de haver.

José Saramago

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Mais lindo ainda o universo Benedetti, que construíram enquanto ele esteve malzinho de saúde. O ousado e sensível projeto - Cadena de poesía - consistia em ler poemas dele e passar pros amigos.

http://blog.josesaramago.org/especiales/benedetti

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HASTA MAÑANA

Voy a cerrar los ojos en voz baja
voy a meterme a tientas en el sueño.
En este instante el odio no trabaja

para la muerte, que es su pobre dueño
la voluntad suspende su latido
y yo me siento lejos, tan pequeño

que a Dios invoco, pero no le pido
nada, con tal de compartir apenas
este universo que hemos conseguido

por las malas y a veces por las buenas.
¿Por qué el mundo soñado no es el mismo
que este mundo de muerte a manos llenas?

Mi pesadilla es siempre el optimismo:
me duermo débil, sueño que soy fuerte,
pero el futuro aguarda. Es un abismo.

No me lo digan cuando me despierte.

Mario Benedetti

Por agora, prefiro a ingênua crença de que ele está vivendo este sonho, ou ao menos sonhando sem nunca mais ser despertado, para que assim o sonho não se transforme mais em pesadelo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

há de vogar?

É, apesar do preconceito que até eu tenho contra advogados, preciso admitir que de vez em quando acho que seria bacana advogar. Ainda tem como se ter gentileza e leveza nesta profissão, principalmente quando se advoga contra o Governo e os empregadores (quando estes são hijos de puta, claro). É bacana ver o cliente mais tranquilo quando você mostra que o bicho papão não passa de uma barata. Melhor que isto só quando este cliente é seu pai. =)