quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

a titia mais boba do mundo

Meu picoto ou picota merece um post mais bonito, mais bem feito, mas a tia tá tão emocionada que nem sabe o que falar. Só sei que sinto um desarrazoado medo de qualquer coisa que possa acontecer ao bebê. Mesmo sabendo que é pura paranóia, sabe? E tou com uma vontade incontrolável de vê-lo. Acho que tudo isto é porque sei o quanto a Haline queria este bebê. Acho também que é porque tem a ver com a infância, com os planos de casar e ter filhos que as irmãs confidenciam, com as tardes brincando de boneca, com o quanto ela cuidou e brincou de cuidar de mim, já que cinco anos mais velha. Tem a ver também com o tanto que minha mãe e toda a família queria este picoto. E é inevitável eu querer que seja uma menina. Parece que se assim for, será uma síntese de todas nós, uma espécie de fechamento do ciclo, nossa evolução, com o que há de melhor em cada uma. E que assim seja, se menino ou menina.

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Atualizando: Bem... este post logo logo voltará a fazer sentido... esta notícia, infelizmente, não durou nem uma semana. Não dá nem pra considerar um aborto. Menos mal. =/

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Atualizando: Agora sim, em 24 de março de 2009, pude conhecer este rostinho tão aguardado. =D

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

a trégua?

Desde que li A Trégua, de Mario Benedetti, esta palavra é especial pra mim.

Agora um pouco do que lhes aguarda, com a contra-capa do livro e uma pequena mostra da beleza da trégua na vida de Santomé.

"Publicado em 1960, A Trégua é o mais famoso romance de Mario Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, com um texto incisivo, muitas vezes irônico, o livro conta a história de Martín Santomé, um 'homem maduro, de muita bondade, meio apagado mas inteligente'.
Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina cinzenta, sem sobressaltos. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem idéia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante.
Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então taciturna e opaca."

"Lá do quarto, ela me chamou. Levantara-se assim mesmo, embrulhada na manta, e estava junto à janela, vendo chover. Eu me aproximei, também olhei como chovia, e por alguns minutos não dissemos nada. De repente, tive consciência de que aquele momento, aquela fatia de cotidianidade, era o grau máximo de bem-estar, era a Ventura. Eu nunca havia sido tão plenamente feliz como naquele momento, mas tinha a aguda sensação de que nunca mais voltaria a sê-lo, pelo menos naquele grau, com aquela intensidade. O ápice é assim, claro que é assim. Além disso, tenho certeza de que o ápice é só um segundo, um breve segundo, um clarão instantâneo, e não há direito a prorrogações."

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E a boa notícia é que a LP&M publicou, em janeiro, A Trégua. Por 12 reais. =)

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E que este espaço seja, pra mim e pra vocês, esta trégua pras coisas chatas da vida. Aqui vocês podem mijar na aguinha - alguém não sabe a história do enorme grau de intimidade quando o namorado já faz xixi, com direito a barulho e tudo o mais, na água do aparelho sanitário da moça? Aqui em casa PA já mija na aguinha há um tempão. =D

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ele

Ele é minha luz amarela no banheiro, me levando à infância e às suas promessas de dias melhores e à ousadia dos sonhos impossíveis. Foi no dia em que coloquei esta luz amarela que percebi tudo o que redescobri com ele. É Sebastião, né que com ele relembrei que o mundo é bão mesmo? Que há sim pessoas boas e amigas. Que há pessoas preocupadas com os sentimentos dos outros. E pasmem. Isto não tem só o valor de palavrinhas bonitas. Aqui o valor tá lá, nele. Não nestas palavras. É ele que tento colocar aqui. E ele é puro da cor da minha infância. Ele é aquele bom que há muito tempo eu já não acreditava. E antes a vida só fazia sentido quando eu esquecia desta terrível não crença - a possibilidade da esperança se fazia exatamente com a negação da crítica da esperança, acreditava que era melhor não pensar seriamente sobre isto, que as pessoas não eram perfeitas e que nada podia mudar isto, que as pessoas sempre pisariam na bola e ponto, que eu também pisava na bola e que não era por mal. Mas ele não pisa na bola com as coisas verdadeiramente importantes. Ele me fez ver que há sim pessoas superiores a isso tudo. E o melhor é que ele não se toca disso, ele simplesmente vive. E mesmo sem saber, ele não cansa de me deixar boba com o quanto ele é bom. É por isso e por muito mais que eu o amo. E assim estou sempre me perguntando o que fiz pra merecer essa pedrinha preciosa.

E com certeza é ele o homem cheio de virtudes que uma cartomante uma vez disse que eu ia encontrar. =P

E eu não tenho dúvidas de que aconteça o que acontecer, ele não vai mudar. Ele não vai me decepcionar. É impossível. É natural dele fazer tudo da melhor maneira possível, de um modo que não magoe, ou que magoe o mínimo possível. Taquipariu como eu te amo! =)